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Curtindo dias que moem horas que morrem todas fecundei
anos hora a dia noite a
verso tudo a nada e rimando
mentiras chorei gargalhadas de papel e verbo e soube muito bem não dizer o que
se deve como quem apenas recita ráfagas de vento e de tanto não
saber gritar e de tanto não poder dizer curti dias moídos somei
horas perdidas sucumbi às carícias das promessas sem
sentido alimentando con dor a dor das preguntas sem
resposta
e depois e depois sim e
depois
de depois eu sei lá eu bem sei já nem sei ou sim
sei que com fios de bordar projetos e com letras de escrever
verdades e com olhos de encarar sem medo e com versos de dizer
sentindo e com isto e com o outro e com tudo e mais ainda se volta
se pode se deve começar a curtir novos dias sem manchas
outros anos sem trampas olhando com carícias sem disfarces refletindo
eloqüência no silencio vivendo eternidade nos
instantes
e depois maldição e depois voltar a
encontrar-me no ponto final.
E assim sucessivamente. Ou não...
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