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Eram portas de abrir as que buscava e não sabia cansado de fechar a entrada
com cadeado a cada dia e essas portas abriram-se caladas num convite e sem
aceitá-lo fechei-me bem trancado como sempre até que pressentindo a chegada
do impossível finalmente encontrei-me na saída de mim mesmo e munido do
valor dos que perderam a inocência dei então o derradeiro e decisivo passo de
gigante e num salto mortal e irreversível, como um grito, declarando a
minha última vontade, como um morto, desisti de abandonar a luta, como um
Homem, enterrando os dissabores de azedos sabores e inaugurando um novo
tempo, em que o verso fosse o argumento irrefutável do que digo, e os
textos, a rima elaborada do que penso, e o gesto, uma ponte tendida, que
rendida aos pés dos trapézios deste circo que é a vida, mostre
como, acrobata ilustrado da sobrevivência cotidiana, escorreguei para
dentro de mim, rosnando como um pássaro, e levantei-me, trinando
como um lobo.
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