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"As bombas explodiram em todas as manchetes, e a angústia trabalhou sem sem
trégua nem descanso. As mentiras oficiais ficaram cada vez mais obcenas, e os
mortos insistiram em ser cada vez mais numerosos. Da Paz jamais se conheceu o
paradeiro, enquanto que a maldita guerra vivia rindo à toa. Os rouxinóis de
Basra e de Bagdá e do norte da morte e do sul do mal decretaram um minuto de
silêncio em causa própria, vítimas inocentes e colaterais do fogo inteligente e
multilateral. A vetusta Mesopotâmia das Mil e Uma Noites recebeu desde o
mesmíssimo céu mil e uma "lições" de progresso tecnológico, enquanto os
emissários do Bem distribuiam epitáfios como se de guloseimas se tratasse. O
sangue amigo e o inimigo enlaçaram-se num abraço desesperado e inesperado, e
juntos saíram de cena enquanto a esperança - num gesto teatral bem ensaiado -
sucumbia ferida de morte aos pés da nova realidade, e o Futuro caía fprisioneiro
nas garras dos celebérrimos arquitetos da ignomínia. Um seleto grupo de
convidados de honra - que entusiasmado assistia à hecatombe desde o palco
presidencial de Wall Street - aplaudía com os bolsos, enquanto esfregava as
mãos fazendo as contas dos dividendos que a Morte alheia lhes pagara em menos de
um mes.
Sim. Já sei a pergunta, mas não conheço a resposta nem muito
menos os motivos. Deus... Sim... Deus... e a Justica, e o Bom Senso, e o
Humanismo, e os Princípios e Valores, e o Respeito ao Próximo, e a Democracia, e
a Ética, e a Liberdade, e a Fraternidade, e os Direitos Humanos... Sim.
Ausentes. Como sempre".
©
Bruno Kampel, Suécia
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