A procura


 

 

 
 

Amanheci abrindo a porta do mistério
no qual guardo a vida enquanto durmo
procurando nele o meu sorriso matutino
meu olhar mais sereno e deslumbrante
minha intenção mais genuína e solidária
e também minha alegria renascida
mas por mais que buscasse nas gavetas
e nos restos da noite que findara
nada achei pendurado nos cabides
a não ser a lembrança de outros tempos
e atônito ante a ausência de mim mesmo
sentindo-me num beco sem saída
apertei o gatilho da esperança
e correndo até o espelho da memória
meti nele minha sombra amarrotada
e lá estou esperando-me sentado
até a hora que voltar não sei de onde.


    © Bruno Kampel, Suécia


 

 

  
     

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