A PROMESSA

 


 

Primeiro caminharei o teu calvário
e só depois derramarei no papel minha carícia,
pois não desejo que pareça esmola
mas que seja afago.

Depois de percorrer tua via-crúcis
voltarei trazendo o mel que tudo cura,
o qual solene verterei no altar das tuas dores
adoçando-te o ardor, amainando a fúria dessa
angústia soberana que hoje impune tudo pode.

Uma vez teu equilíbrio restaurado
e a paz interior instaurada por decreto
inaugurarei pomposamente o verso amigo,
a carícia companheira, o afago morno,
o olhar brando, a ternura sem limite.

Só então, missão cumprida, partirei
montando minha cruz que tanto pesa
e continuarei a galopar o meu deserto
Enquanto inundo de esperanças teu deserto.


          © Bruno Kampel. Suécia

 

 

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