Sinto saudades do dia em que nunca nos encontramos. Sim, daquele em que não nos vimos pela primeira vez. Desse em que nunca te tive. Daquele em que não falaste o que eu quería ouvir. De nossa primeira noite que jamais houve, quando deixamos de conhecer-nos biblicamente até o desmaio.

Tenho sede da noite em que nem começamos a beber-nos. Sinto fome dos momentos em que não estavamos um no outro, devorando-nos gota a gota.

Poderia desenhar com os mínimos detalhes tudo o que não aconteceu. O amor que não explodiu, o desejo que não cristalizou, todo esse nada que não vivemos tão intensamente separados.

É uma saudade tão grande!...Uma saudade como se nunca tivesse acontecido. Como este afago que não te mando, e que ainda assim nunca o receberás.

 




 

2003 © Bruno Kampel, Suécia