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Após algemar os pés da realidade às cicatrizes
da esperança vitalícia fui procurar a felicidade
insubornável e num gesto imprudente de ternura desativei o sofrimento e a tristeza e tendendo uma armadilha ao
infortúnio decapitei o dissabor do desengano enquanto a melancolia como sempre desfraldando suas dúvidas
ao vento deitava-se no leito ambíguo da
memória ao passo que a saudade
penetrava como faca nas ausências mais
sentidas e mar adentro feito sangue
navegava pelas veias das lembranças de
outros dias.
©
Bruno Kampel, Suécia
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